003 - CACHAÇA ABAÍRA -
Moenda do Engenho do Valdo, Abaíra. Estrutura rústica, mas dentro das exigências legais e ambientais.
CACHAÇA ABAÍRA
OS DOIS LADOS DE UMA MESMA MOEDA
Atendendo a todas as especificações técnicas e ambientais das boas práticas de fabricação, a COOPAMA é hoje um empreendimento viável para os cerca de 144 pequenos produtores de cachaça de qualidade, cooperados dos municípios de Piatã, Mucugê, Jussiape e do próprio município de Abaíra. Os produtos ABAÍRA, envasados na própria indústria da Cooperativa, abrem mercados e se firmam com exelente conceito entre os apreciadores de uma boa cachaça. Muito em breve, sem dúvida, esses pequenos produtores estarão recebendo o retorno financeiro do investimento e do tempo que tiveram que esperar para maturação do seu empreendimento.
Entretanto, segundo informação da própria COOPAMA, o número de cooperados representa apenas 1% do universo da pequena produção de cachaça no estado da Bahia. Isso significa que 99% da cachaça produzida da pequena produção no estado é de micro-produtores independentes (fora de associações ou cooperativas). Esses produtores familiares produzem cana e destilam cachaça com práticas tradicionais, sem dar destinação adequada a resíduos poluentes, principalmente ao vinhoto, desrespeitando as APPs e desmatando inclusive áreas de nascentes da maior importância, como as do Rio de Contas, entre Abaíra e Mucugê. Os problemas ambientais resultantes da atividade intensiva da produção de cana e cachaça podem levar à "morte" os numerosos rios e riachos da região, já bastante "debilitados" e poluídos.
A necessidade de sobrevivência está levando esse público a "cavar a sepultura" da atividade canavieira regional. Mais que "agentes do mal", esses produtores são vítimas de um sistema produtivo secular, equivocado, que nunca levou em conta a necessidade de preservação ambiental nem a saúde dos usuários do seu produto. Com propriedades de 2 hectare ( tamanho médio da região ), são trabalhadores pobres, explorados por um sistema de comercialização igualmente perverso, que remunera mal ( apenas R$ 0,70 por litro ) e ainda amplia seus lucros com práticas duvidosas que, certamente, pioram a qualidade do produto, deixando mais expostos os consumidores. Enquanto os atravessadores desdobram a cachaça original com álcool anidro e água, a fiscalização do MAPA começa a fechar o cerco em torno da produção irregular. Pressão sobre os pequenos !
Assim, estamos diante de um grave problema social: Se forem fechados os "engenhos" (*), milhares de pequenos agricultores familiares estarão "desempregados". Que fazer para evitar que o CAOS se estabeleça na região ???
Achamos que este é o momento de se estabelecer o diálogo entre o PODER PÚBLICO (Prefeituras, Governo Estadual e Governo Federal) e TRABALHADORES ( Sindicatos , FETAG e outros orgnismos) na busca de soluções para a cadeia produtiva da cachaça e outros derivados de cana na Chapada Diamantina e em todo o estado da Bahia. O setor necessita de políticas públicas para que se evite o pior !
FERNANDO DE OLIVEIRA
(*) engenho - pequena unidade produtiva, com cultura e industrialização da cana-de-açúcar de modo semi-artezanal.


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