- Em Busca do Verde Perdido !

25 janeiro, 2007

003 - CACHAÇA ABAÍRA -

Moenda do Engenho do Valdo, Abaíra. Estrutura rústica, mas dentro das exigências legais e ambientais.

CACHAÇA ABAÍRA OS DOIS LADOS DE UMA MESMA MOEDA Atendendo a todas as especificações técnicas e ambientais das boas práticas de fabricação, a COOPAMA é hoje um empreendimento viável para os cerca de 144 pequenos produtores de cachaça de qualidade, cooperados dos municípios de Piatã, Mucugê, Jussiape e do próprio município de Abaíra. Os produtos ABAÍRA, envasados na própria indústria da Cooperativa, abrem mercados e se firmam com exelente conceito entre os apreciadores de uma boa cachaça. Muito em breve, sem dúvida, esses pequenos produtores estarão recebendo o retorno financeiro do investimento e do tempo que tiveram que esperar para maturação do seu empreendimento. Entretanto, segundo informação da própria COOPAMA, o número de cooperados representa apenas 1% do universo da pequena produção de cachaça no estado da Bahia. Isso significa que 99% da cachaça produzida da pequena produção no estado é de micro-produtores independentes (fora de associações ou cooperativas). Esses produtores familiares produzem cana e destilam cachaça com práticas tradicionais, sem dar destinação adequada a resíduos poluentes, principalmente ao vinhoto, desrespeitando as APPs e desmatando inclusive áreas de nascentes da maior importância, como as do Rio de Contas, entre Abaíra e Mucugê. Os problemas ambientais resultantes da atividade intensiva da produção de cana e cachaça podem levar à "morte" os numerosos rios e riachos da região, já bastante "debilitados" e poluídos. A necessidade de sobrevivência está levando esse público a "cavar a sepultura" da atividade canavieira regional. Mais que "agentes do mal", esses produtores são vítimas de um sistema produtivo secular, equivocado, que nunca levou em conta a necessidade de preservação ambiental nem a saúde dos usuários do seu produto. Com propriedades de 2 hectare ( tamanho médio da região ), são trabalhadores pobres, explorados por um sistema de comercialização igualmente perverso, que remunera mal ( apenas R$ 0,70 por litro ) e ainda amplia seus lucros com práticas duvidosas que, certamente, pioram a qualidade do produto, deixando mais expostos os consumidores. Enquanto os atravessadores desdobram a cachaça original com álcool anidro e água, a fiscalização do MAPA começa a fechar o cerco em torno da produção irregular. Pressão sobre os pequenos ! Assim, estamos diante de um grave problema social: Se forem fechados os "engenhos" (*), milhares de pequenos agricultores familiares estarão "desempregados". Que fazer para evitar que o CAOS se estabeleça na região ??? Achamos que este é o momento de se estabelecer o diálogo entre o PODER PÚBLICO (Prefeituras, Governo Estadual e Governo Federal) e TRABALHADORES ( Sindicatos , FETAG e outros orgnismos) na busca de soluções para a cadeia produtiva da cachaça e outros derivados de cana na Chapada Diamantina e em todo o estado da Bahia. O setor necessita de políticas públicas para que se evite o pior ! FERNANDO DE OLIVEIRA (*) engenho - pequena unidade produtiva, com cultura e industrialização da cana-de-açúcar de modo semi-artezanal.

16 janeiro, 2007

002 - P E D R O C A L M O N

P E D R O
C A L M O N
Há alguns meses eu já o conhecera e ele já me houvera falado a respeito da secular fazenda onde vive, no município de Serra Preta, aqui na Bahia, propriedade da família desde 1747.
Atendendo a convite de Cal-do-PT (Cláudio Luis Figueiredo Mascarenhas), fui participar da inauguração de 62 cisternas domésticas de captação d'água de chuva, último domingo (14.01.07). O local, uma comunidade rural 15 km distante do distrito de Bravo (Serra Preta), é extremamente seco. Parabéns a Cal e ao SRT de Serra Preta pela conquista.
Entre churrascos, cavalgadas, desfile de carro-de-boi, desafios de viola ( duas dúplas de violeiros ), muitas falações e um ou outro gole de cerveja, o tempo passou, ficou tarde. Tive então que aceitar a hospitalidade de Pedro Calmom ( médico veterinário, psicólogo e professor universitário, aposentado dessas atividades, mas atuante como fazendeiro e ambientalista),
na sua fazenda, entre os montes de uma serra, a uma altitude de mais de 450 m.
Tendo aí pernoitado, desfrutando da fidalga hospitalidade de Pedro e Zezé, sua esposa, pude amanhecer ao som do trinado dos passaros, respirando o mais puro ar proveniente do intenso verde do campo, caatinga e mata-atrântica (embora pareça impossível), apesar da intensa seca ao seu entorno.
A mancha de mata-atlântica, preservada pelo pai do Pedro e agora por ele e sua família, é santuário de fauna e flora, abrigando numerosas espécies animais ( principalmente felinos ameaçados de extinção e espécies vegatais nobres igualmente ameaçadas).
De maneira harmônica, Pedro cria gado e faz agricultura, respeitando o meio-ambiente, onde os humanos que aí vivem têm a consciência de fazer parte desse meio. Nada se destrói ! Fiquei "encantado" e lhe disse que não consigo aceitar que se faça de outra maneira.
Como prêmio, Pedro vive bem, sem grandes ambições financeiras, mas respirando ar puro e até recebendo "de presente" um micro clima que distingue sua propriedade do restante da região. Maior pluviosidade, temperaturas mais baixas e brisas suaves caracterizam esse agradável clima que torna sua fazenda um oasis em meio ao semi-árido.
Parabéns do VERDETERRA para Pedro e sua família ! O planeta precisa de mais gente como vocês. E se estão de bem com a natureza, estão de bem com DEUS ! Que ELE os cubra de bênçãos .
Fernando de Oliveira

04 janeiro, 2007

001 - PODE ENTRAR

Pode entrar ! A casa é sua ! O planeta é nosso ! O ar que respiramos é de todos ! As águas doces, os mares são patrimônio de todos ! Os bens naturais são patrimônio de todos ! O compromisso com a conservação tambem deve ser de todos . Este blog, por exemplo, tambem pertence a todos. Pertence a todos os visionários que acreditam que nem tudo está perdido e que ainda é tempo de salvar a terra e a vida sobre ela.
Se você é um deles, fique à vontade. Escreva, indgne-se, proteste ou acentue ações positivas que contribuam para a recuperação ou para a preservação do meio-ambiente. Este é o nosso forum de debates sobre as questões ambientais.
Um abraço fraterno,
Fernando de Oliveira